# Será que as empresas e startups estão realmente se afastando das clouds públicas como AWS, Google Cloud e Azure?

Essa tem sido uma discussão recorrente em fóruns internacionais de tecnologia, especialmente no **Reddit**. Além disso, tenho dialogado com diversas pessoas sobre essa tendência, o que me motivou a trazer o debate para o contexto brasileiro, buscando entender a perspectiva br sobre o tema qual é sempre a melhor de entender.

No último ano, deparei-me com um artigo de **David Hansson** criador do **Ruby On Rails** e um grande empresário, cujo link compartilharei ao final deste texto. Nele, **Hansson** revela sua decisão de migrar seu principal produto para uma **infraestrutura própria**, o que me inspirou a refletir sobre os diversos aspectos que serão abordados ao longo deste artigo.

%[https://world.hey.com/dhh/we-have-left-the-cloud-251760fb] 

## Vale a pena hospedar uma aplicação em uma Cloud pública?

Para iniciar essa discussão, recomendo assistir a um vídeo do **Fireship**, no qual é sugerido que as clouds públicas podem ser comparadas a uma droga: viciantes e difíceis de abandonar.

%[https://youtu.be/4Wa5DivljOM?si=-v_zr5FzZUgRJv4W] 

Adicionalmente, um comentário interessante surgiu em um vídeo de **ThePrimeagen**, que reagia ao vídeo mencionado acima:

![](https://cdn.hashnode.com/res/hashnode/image/upload/v1714137726580/0d073e18-119c-4bf5-830f-4f362899c596.png align="center")

Nos últimos tempos, conversei com vários clientes que iniciaram seus empreendimentos na nuvem. Alguns expressaram arrependimento, especialmente após o término dos **créditos de teste**, momento em que se depararam com as primeiras faturas elevadas. E, como muitos já perceberam, seja através do vídeo ou da própria experiência, a estratégia de negócios desses provedores de cloud parece tornar a migração para infraestruturas mais alinhadas ao faturamento da empresa um desafio bastante "doloroso".

No artigo mencionado, **Hansson** discute o que ele considera uma das maiores ilusões do mercado de software: a crença de que a hospedagem em cloud seria menos complexa e mais econômica do que manter uma infraestrutura própria. Contrariando essa percepção, **Hansson** argumenta que gerenciar serviços em cloud pode ser tão complexo quanto manter uma infraestrutura própria. E eu destaco, por exemplo, a complexidade da interface web da **AWS** e a necessidade de aprender e dominar ferramentas não tão intuitivas, como o **Terraform**, para automatizar tarefas.

Em um artigo subsequente (link abaixo), **Hansson** compartilha sua experiência pós-migração, revelando uma economia significativa de aproximadamente 1 milhão de dólares por ano. Esse dado reforça a ideia de que, embora a migração para uma infraestrutura própria possa apresentar desafios iniciais, os benefícios financeiros a longo prazo podem ser consideráveis.

%[https://world.hey.com/dhh/our-cloud-exit-has-already-yielded-1m-year-in-savings-db358dea] 

Diante dos diversos indícios, torna-se evidente que a adoção de uma **cloud pública** não deve ser uma escolha automática ou padrão, como tem sido prática comum atualmente. Essa decisão necessita de uma avaliação criteriosa, considerando a complexidade e o alto custo envolvidos.

Existem situações específicas em que a hospedagem em cloud pública se justifica plenamente. Por exemplo, quando há exigências rigorosas de **compliance** que precisam ser atendidas ou quando o modelo de negócio está alinhado com investidores de perfil mais conservador, que veem na cloud uma forma de garantir maior segurança e estabilidade para a aplicação. Nestes casos, a escolha pela cloud pode ser não apenas apropriada, mas também necessária.

## Dominar uma cloud deveria ser um critério essencial para contratação?

Após a leitura desse artigo citado anteriormente, e o consequente desligamento da minha posição como **DevOps/SRE**, deparei-me com a necessidade de buscar uma nova oportunidade no mercado. Foi então que percebi uma tendência nas vagas para essa especialidade: a exigência de anos de experiência com a AWS, critério com o qual eu não me enquadrava devido à minha experiência em um ambiente onde desenvolvíamos nossas próprias soluções. Essa experiência, embora enriquecedora e fundamental para o meu entendimento prático do conceito de cloud sem a intermediação de camadas de abstração, foi um dos fatores que me levaram a reconsiderar minha carreira na especialidade. Afinal, sempre tive mais interesse em criar soluções do que em manter sistemas operando.

Atualmente, tenho grande apreço pela AWS, *misturo no arroz e feijão e como no almoço e na janta* 😂. E reconheço que, ao compreender os mecanismos internos de funcionamento das clouds, tudo se torna mais acessível.

Contudo, questiono a relevância de tornar essa habilidade um requisito tão decisivo na contratação. Ao fazer isso, uma empresa pode acabar limitando sua operação à dependência de um único fornecedor. Se estivesse em posição de contratar especialistas hoje, valorizaria o conhecimento em conceitos fundamentais como **Serverless Functions**, **CI/CD**, **VPC**, **VPN**, clusterização, além da habilidade em **orquestrar containers** e **máquinas virtuais** na unha. Essas competências permitem a um profissional adaptar-se com facilidade a ambientes **híbridos** ou **multi-cloud**. Inclusive, se um candidato possuísse experiência em outra cloud, como o **GCP**, eu consideraria sua candidatura para posições relacionadas à **AWS**, dado que as ferramentas, embora variem em quantidade, são essencialmente as mesmas em diferentes plataformas. Naturalmente, para negócios já profundamente integrados a uma cloud específica, faz sentido buscar profissionais com experiência direta nessa plataforma. No entanto, é curioso observar empresas **on-premise** que estabelecem a AWS como um requisito, o que pode refletir uma compreensão limitada das necessidades reais do negócio.

## Conclusão

O futuro das **infraestruturas de TI** permanece uma incógnita. Não está claro se as clouds públicas dominarão completamente o cenário ou se as empresas buscarão alternativas, nem se haverá intervenção governamental frente ao crescente monopólio dessas plataformas. O que é certo, porém, é o aumento contínuo no faturamento dessas empresas, um indicador que pode muito bem sinalizar as tendências futuras.

Para você, **microempreendedor**, deixo uma sugestão valiosa: desenvolva suas aplicações utilizando containers desde o início, mesmo que seu projeto seja um **monolito** na fase inicial de validação do negócio. Essa abordagem oferece flexibilidade significativa, permitindo que sua aplicação seja hospedada em diversos ambientes sem a necessidade de alterações estruturais. Seja através do **ECS** da Amazon com **EC2** ou **Fargate**, **Kubernetes** em **serverless** na **Digital Ocean** ou **GCP**, em sua própria **VPS**, ou até mesmo em um computador em sua casa, a utilização de containers assegura que você possa migrar ou expandir sua infraestrutura conforme necessário, mantendo abertas múltiplas opções para o futuro.
