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Será que as empresas e startups estão realmente se afastando das clouds públicas como AWS, Google Cloud e Azure?

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Será que as empresas e startups estão realmente se afastando das clouds públicas como AWS, Google Cloud e Azure?
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Sou um desenvolvedor de software movido pela curiosidade e pela paixão por tecnologia. Aqui no blog, compartilho minhas aventuras desbravando novas ferramentas, frameworks e ideias, sempre testando o que há de mais interessante no mundo digital.

Essa tem sido uma discussão recorrente em fóruns internacionais de tecnologia, especialmente no Reddit. Além disso, tenho dialogado com diversas pessoas sobre essa tendência, o que me motivou a trazer o debate para o contexto brasileiro, buscando entender a perspectiva br sobre o tema qual é sempre a melhor de entender.

No último ano, deparei-me com um artigo de David Hansson criador do Ruby On Rails e um grande empresário, cujo link compartilharei ao final deste texto. Nele, Hansson revela sua decisão de migrar seu principal produto para uma infraestrutura própria, o que me inspirou a refletir sobre os diversos aspectos que serão abordados ao longo deste artigo.

Vale a pena hospedar uma aplicação em uma Cloud pública?

Para iniciar essa discussão, recomendo assistir a um vídeo do Fireship, no qual é sugerido que as clouds públicas podem ser comparadas a uma droga: viciantes e difíceis de abandonar.

Adicionalmente, um comentário interessante surgiu em um vídeo de ThePrimeagen, que reagia ao vídeo mencionado acima:

Nos últimos tempos, conversei com vários clientes que iniciaram seus empreendimentos na nuvem. Alguns expressaram arrependimento, especialmente após o término dos créditos de teste, momento em que se depararam com as primeiras faturas elevadas. E, como muitos já perceberam, seja através do vídeo ou da própria experiência, a estratégia de negócios desses provedores de cloud parece tornar a migração para infraestruturas mais alinhadas ao faturamento da empresa um desafio bastante "doloroso".

No artigo mencionado, Hansson discute o que ele considera uma das maiores ilusões do mercado de software: a crença de que a hospedagem em cloud seria menos complexa e mais econômica do que manter uma infraestrutura própria. Contrariando essa percepção, Hansson argumenta que gerenciar serviços em cloud pode ser tão complexo quanto manter uma infraestrutura própria. E eu destaco, por exemplo, a complexidade da interface web da AWS e a necessidade de aprender e dominar ferramentas não tão intuitivas, como o Terraform, para automatizar tarefas.

Em um artigo subsequente (link abaixo), Hansson compartilha sua experiência pós-migração, revelando uma economia significativa de aproximadamente 1 milhão de dólares por ano. Esse dado reforça a ideia de que, embora a migração para uma infraestrutura própria possa apresentar desafios iniciais, os benefícios financeiros a longo prazo podem ser consideráveis.

Diante dos diversos indícios, torna-se evidente que a adoção de uma cloud pública não deve ser uma escolha automática ou padrão, como tem sido prática comum atualmente. Essa decisão necessita de uma avaliação criteriosa, considerando a complexidade e o alto custo envolvidos.

Existem situações específicas em que a hospedagem em cloud pública se justifica plenamente. Por exemplo, quando há exigências rigorosas de compliance que precisam ser atendidas ou quando o modelo de negócio está alinhado com investidores de perfil mais conservador, que veem na cloud uma forma de garantir maior segurança e estabilidade para a aplicação. Nestes casos, a escolha pela cloud pode ser não apenas apropriada, mas também necessária.

Dominar uma cloud deveria ser um critério essencial para contratação?

Após a leitura desse artigo citado anteriormente, e o consequente desligamento da minha posição como DevOps/SRE, deparei-me com a necessidade de buscar uma nova oportunidade no mercado. Foi então que percebi uma tendência nas vagas para essa especialidade: a exigência de anos de experiência com a AWS, critério com o qual eu não me enquadrava devido à minha experiência em um ambiente onde desenvolvíamos nossas próprias soluções. Essa experiência, embora enriquecedora e fundamental para o meu entendimento prático do conceito de cloud sem a intermediação de camadas de abstração, foi um dos fatores que me levaram a reconsiderar minha carreira na especialidade. Afinal, sempre tive mais interesse em criar soluções do que em manter sistemas operando.

Atualmente, tenho grande apreço pela AWS, misturo no arroz e feijão e como no almoço e na janta 😂. E reconheço que, ao compreender os mecanismos internos de funcionamento das clouds, tudo se torna mais acessível.

Contudo, questiono a relevância de tornar essa habilidade um requisito tão decisivo na contratação. Ao fazer isso, uma empresa pode acabar limitando sua operação à dependência de um único fornecedor. Se estivesse em posição de contratar especialistas hoje, valorizaria o conhecimento em conceitos fundamentais como Serverless Functions, CI/CD, VPC, VPN, clusterização, além da habilidade em orquestrar containers e máquinas virtuais na unha. Essas competências permitem a um profissional adaptar-se com facilidade a ambientes híbridos ou multi-cloud. Inclusive, se um candidato possuísse experiência em outra cloud, como o GCP, eu consideraria sua candidatura para posições relacionadas à AWS, dado que as ferramentas, embora variem em quantidade, são essencialmente as mesmas em diferentes plataformas. Naturalmente, para negócios já profundamente integrados a uma cloud específica, faz sentido buscar profissionais com experiência direta nessa plataforma. No entanto, é curioso observar empresas on-premise que estabelecem a AWS como um requisito, o que pode refletir uma compreensão limitada das necessidades reais do negócio.

Conclusão

O futuro das infraestruturas de TI permanece uma incógnita. Não está claro se as clouds públicas dominarão completamente o cenário ou se as empresas buscarão alternativas, nem se haverá intervenção governamental frente ao crescente monopólio dessas plataformas. O que é certo, porém, é o aumento contínuo no faturamento dessas empresas, um indicador que pode muito bem sinalizar as tendências futuras.

Para você, microempreendedor, deixo uma sugestão valiosa: desenvolva suas aplicações utilizando containers desde o início, mesmo que seu projeto seja um monolito na fase inicial de validação do negócio. Essa abordagem oferece flexibilidade significativa, permitindo que sua aplicação seja hospedada em diversos ambientes sem a necessidade de alterações estruturais. Seja através do ECS da Amazon com EC2 ou Fargate, Kubernetes em serverless na Digital Ocean ou GCP, em sua própria VPS, ou até mesmo em um computador em sua casa, a utilização de containers assegura que você possa migrar ou expandir sua infraestrutura conforme necessário, mantendo abertas múltiplas opções para o futuro.

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